O Conclave encanta e atrai a quase todo o mundo.
Jornalistas se interessam, casas de apostas lucram, rodas de conversa se acirram, pessoas de vários planos de fundo tornam públicos os seus pontos de vista e, no fim, todos tem uma exigência para o novo papa. Ou melhor, para os cardeais que devem escolher o novo papa.
E isso é bom? Talvez até justo, já que o papa atinge a todos, de fato. Mas atinge no mesmo nível que as pessoas se sentem no direito de cobrar?
O que tenho me perguntado nos últimos dias, me perguntei em 2013, agora com uma carga muito maior de conhecimento e maturidade a respeito tanto do evento que ocorre, quanto a quem ele serve. E, nesse caso, serve à Igreja: 1,4 bilhão de pessoas, e crescendo.
Mesmo assim, ouço inúmeras pessoas que nem católicas, sequer religiosas são, dizendo qual deveria ser o perfil do novo papa ou, mais grave ainda, qual perfil o papa precisa ter.
O que me pergunto é: por que há tantas pessoas interessadas no futuro da Igreja?
Isso é muito interessante, porque, primeiro, mostra que apesar de a Igreja Católica ser cada vez mais descrita como irrelevante, jamais um conclave foi acompanhado com tanto interesse.
Segundo que, apesar da sua suposta irrelevância, todos nos interessamos por dar uma opinião, traçarmos um perfil de papa só nosso e apontarmos onde os anteriores erraram.
Terceiro, é o fato de que damos opinião sobre aquilo que consideramos importante. E, se desejamos um perfil de papa, alguém pode até não ser católico, mas reconhece que ele tem uma autoridade que atinge a todos.
Ele, o líder da Igreja Católica. Hoje, Leão XIV.
Apesar das emoções, sentimentos de pertença e identidade que a diversidade ou mesmo falta de religiões coloca, a figura do Papa da Igreja Católica ainda consegue ser uma figura unificadora, mesmo que por pura cultura e imaginário popular.
E, quer saber, no fundo, isso me parece desejável para aquele que é papa porque une na caridade, aquele que é líder mundial porque é um pontífice, isto é, um fazedor de pontes.
Portanto, à pergunta que inspira este texto, acredito que a resposta seja “ninguém”. Mesmo que muito particular, o conclave é, sim, um evento universal, como a Igreja a que serve, como o líder que deve escolher.
Que Leão XIV seja fiel, e siga a sua missão com o sucesso que vem de Cristo.
