Como explicar o meu amor?

Como posso explicar o que sinto?

Como posso nomear, 

se o que sinto me causa arrepios

calafrios que me percorrem o corpo inteiro 

atentam contra a minha natureza mais selvagem 

e contribuem para aquela que tem sido formadora de quem eu sou, 

a minha natureza;

mais que a selvageria que os bichos humanos costumam respeitar e perseguir,

aquela que fez valer a pena estar só, 

porque sabe que há a quem buscar, 

há um alguém por quem lutar, 

um sonho a sonhar, 

uma realidade para transformar… 

um amor

para viver.

Como nomear o que sinto, 

se diante disso tudo, 

a solidão que já foi minha inimiga,

tornou-se o abraço mais bem-vindo nessa distância, 

porque não vem só, 

tem a companhia de quem eu amo, 

a lembrança do abraço quente, íntimo, carinhoso 

e nosso, 

com o cheiro do nosso amor, 

nossas dúvidas e inseguranças, 

medos e expectativas,

ilusões fabricadas para não ferir muito, 

nem a si, nem ao outro,

o tempo congelado 

abraçando dois corpos em seu próprio abraço,

em sua própria conversa secreta, mais que isso, 

exclusiva,

cheia de sons, clamores, anseios, desejos…

inclusive o de amar e ser amado…

como?

se o que sinto não é tátil, 

nem é fogo, nem dói, embora, de fato, não se possa ver.

Se não tem rosto, 

mas existe por um de carne, osso e todo o meu amor…

Não tem forma, 

embora embora utilize um documento, 

que começa com o Kronos do meu amor 

que, como aquele dígito,

deita-se para ser infinito no tempo que demande.

É uma coisinha assim, complicada em sua simplicidade,

que me faz dormir e acordar com o mesmo nome em minha lembrança,

enquanto ponho outros de lado,

cedendo lugar para essa ideia.

Assim és tu, destino de minha paixão, 

desejo e um sonho particularmente cruel:

o nosso amor

minha fantasia.

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