No cartaz que a imagem apresenta, lê-se: “Não espere por líderes. Torne-se um”.
Há alguns dias, no meu trabalho, preparei uma matéria em homenagem a um personagem icônico para a cidade onde nasci e hoje vivo. Morto havia um mês, Valdemiro Steffen foi administrador de empresa, colaborador direto para o desenvolvimento técnico do gruopo de comunicação onde trabalho, presidente fundador da maior cooperativa de grãos da cidade, presidente do hospital local, vereador e vice-prefeito. Na administração pública, foi o responsável pelo asfaltamento da única ligação com a maior rodovia da região, fundou o museu local, e trabalhou para a construção da sede da prefeitura que existe hoje. Sua vida particular contava o tradicional empenho na vida religiosa e um elemento bastante particular para uma comunidade como a minha ainda hoje: era doador de sangue. Em suma, o cara foi um fenômeno da cidadania, um estadista em sua escala municipal.
Minha coluna não é uma homenagem a ele, até porque não o conheço a ponto de fazer uma à altura. É uma reflexão que surge da memória da vida pública desse personagem. Mortes tem disso, elas nos fazem refletir sobre o que fazemos de nossas vidas. A de Steffen me colocou mais uma vez diante da pergunta: onde foram parar os grandes líderes do mundo? É verdade que temos grandes nomes, mas não são exatamente líderes. São fenômenos, mitos, estrelas, alguns chegam a ter histórias folclóricas. O complicado é que estrelas são corpos errantes em combustão; existem tão longe de nós que nem sequer se afetam pela nossa existência e, se nos aproximamos demais, acabamos atropelados por um incinerador celeste. Estrelas não guiam processos, muito menos sociedades inteiras.
Este ano mesmo, partiu o último nome que ainda tinha minha admiração, o papa Francisco. O novo pontífice parece ser uma grande voz para se ouvir, mas ainda está em fase de consolidação; é preciso ainda um tempo para ocorrer a metamorfose completa de Prevost para Leão XIV.
Fico na expectativa de ver surgir no mundo novos grandes estadistas vindos da política e líderes religiosos universais vindos das fés. Foi-se o tempo de Jimmy Carter e Margareth Thatcher, João Paulo II e Dalai Lama, Nelson Mandela e Mahatma Ghandi.
Hoje, numa visão pessimista, tenho a impressão de que quem grita mais, leva, quem encanta melhor, conquista, e as comunidades que precisam de bons líderes não têm mais dado o espaço para que eles nasçam, errem, acertem, se fortaleçam, e se prontifiquem a guiar.
Por outro lado, estamos num tempo de tempestade perfeita: é de crises como as que temos vivido hoje, que grandes líderes podem nascer. De duas, uma: ou a crise te quebra, ou você se cura e sai dela ainda mais forte do que antes. Para que rumo vamos? Se tens uma resposta, parabéns! Pode ser que um desses líderes seja você.
