Lembro-me da vez em que o papa Francisco soltou em alto e bom som um “car*lho” em sua oração semanal do angelus, para uma Praça São Pedro repleta de fiéis. Quarta passada (20/08/2025), Leão XIV rezou o sinal da cruz em espanhol em pleno coração da Itália. Sim, eu sou católico. E nem preciso dizer muito para você imaginar o fuzuê que foi, no mundo religioso, esses dois eventos.
O primeiro, ocorrido nos anos iniciais do pontificado de Francisco, rendeu até manchetes sobre o assunto. O segundo, ainda não sei, mas certamente alguém além de mim vai fazer algum comentário por aí – e com certeza alguns seminaristas já devem ter percebido o deslize.
Mas, é claro, nem Francisco nem Leão disseram o que disseram intencionalmente. O primeiro xingou sem nem saber que xingava: a palavra “caso” é traduzida para o italiano assim mesmo, “caso”. O problema é que, se você confunde e troca o “s” pelo “z”, a palavra se transforma em “caz*o”, que em português é aquele xingamento de que falei. Na pronúncia, isso pode acontecer num simples enrolar de língua, que foi o caso de Francisco.
Leão cometeu o engano provavelmente pela mesma situação, no caso, falar um idioma diferente. Você pode imaginar que, para alguém que nasceu nos EUA e cresceu falando inglês, o espanhol e o italiano são dois idiomas que soam perigosamente parecidos. Prevost (nome de batismo do papa) aprendeu a falar espanhol, italiano e português já adulto, porque precisou viajar o mundo inteiro para exercer as funções de superior geral de sua congregação religiosa. Para ele, confundir os idiomas não deve ser um fenômeno tão raro.
Mas, para o Papa, isso é manchete certa. É, também, fofoca, artigo, comentário, exemplo a ser usado no mundo inteiro. Isso tudo porque ele é relevante. O papa ainda é importante.
É diante disso que olhar a minha irrelevância me faz perceber o quanto ela é relevante para mim. Ser aquele que comenta a gafe de um cara tão relevante como o papa e não ser a pessoa sobre quem se comenta, é consolador. Seria terrível para minha saúde mental ter que cuidar até isso.
Portanto, bendigo a Deus por poder desfrutar da tranquilidade de minha vida simples e discreta. Ser irrelevante, às vezes faz um bem danado.
