Outubro Rosa: elas lideram (e transformam) o mundo

Outubro é o mês do cuidado da saúde da mulher. E, falando delas, duas deram novos ares a instituições importantes e altamente tradicionais nas últimas semanas. Uma tornou-se a primeira mulher líder da Igreja Anglicana, sendo a primeira a utilizar o título de arcebispa da Cantuária (título que sequer tinha previsão na língua portuguesa até bem pouco tempo). No Japão, outra pode tornar-se a primeira mulher primeira-ministra.

As duas adentram instituições de tradição secular em posições de comando até então exclusivamente masculinas. O que isso diz para quem vive no hoje da história? Talvez, que cada vez mais, as mulheres são reconhecidas pelo que são: pessoas (eu sei, ter que dizer isso soa absurdo).

E é importante que se coloque sobre a mesa os nomes das que buscam o desafio de ser as primeiras em suas posições.

Sarah Mulley foi anunciada como a primeira mulher a suceder Agostinho de Cantuária nos quase quinhentos anos de história daquela diocese. Escolhida por um processo amplamente democrático de mais de meio ano, agora é ela quem lidera espiritualmente a Comunhão Anglicana no mundo inteiro. É óbvio que isso não acontece sem suas resistências, uma vez que, muito além de ser de um determinado sexo, ela tem uma personalidade própria que, nesse caso, desafia as visões mais tradicionais da religião nascida na corte Inglesa. 

Do outro lado do mundo, uma posição ainda mais consequente é a de comandar o governo japonês. Uma vez que a monarquia daquele país é vista basicamente como uma representação divina muito mais que política, a pessoa que lidera o governo é quem mais carrega essa imagem. E, pela primeira vez em sua existência, o cargo pode ser ocupado por uma mulher muito em breve: em meados de outubro Sanae Takaichi pode ser alçada à primeira-ministra. 

Takaichi, por sua vez, tem uma personalidade já descrita como “conservadora convicta”, nas palavras de Tomohiro Osaki. Ela é reconhecida como fiel apoiadora do emblemático Shinzo Abe, icônico primeiro-ministro morto em 2022 num dos raríssimos casos de morte por arma de fogo no Japão moderno. Para quem tem boa memória, pode ocorrer a lembrança de Abe chegando ao estádio do Maracanã pelos tubos do game Super Mario, no encerramento das Olimpíadas daquele ano, no Rio de Janeiro.

Um mesmo mundo, realidades completamente diferentes, personalidades, nem se fale. Em comum: são mulheres, cada uma à sua maneira. Enriquecem o mundo por suas particularidades e são notícia no Brasil em tempos de saúde da mulher, inclusive saúde mental; perspectiva de carreira justa também reduz a fila do pronto-atendimento.

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