Episódio cinco: “Vocês não estão sozinhos”

Eugênio estava em casa. Em frente a uma tela, via um homem atordoado cambalear ao sair de um carro nada barato. Era Pedro, o prefeito de Alberion Valley.

Pedro estava apoiado em uma de suas mãos, encarando o teto, em sua garagem, como se quisesse recuperar o ar. Carregava uma caixinha preta na outra mão. Chacoalhou-se inteiro e, finalmente, entrou em sua casa. O que havia demais nisso? O fato de ser a gravação de uma câmera de segurança da noite da apresentação de natal, noite em que Richard Steward havia sido morto, três horas depois do fim do espetáculo o que significava que Pedro não foi direto para casa, naquela noite.

Pouco mais de meia hora antes, Eugênio recebia um pendrive antigo de um amigo e ex-colega da polícia. Trabalhando em uma agência de segurança privada, era o responsável pela vigilância da casa de Pedro. Por aquelas câmeras pôde ver algumas coisas pesadas nos últimos meses.

― Eugênio, eu entendo que você queira investigar isso. ― as motivações pouco interessavam aquele homem, mas ele sabia, em grande parte, como um policial afastado de suas funções se sente. ― Mas, se cuide. Leonardo de Mattos tem vários contatos pesados na capital e alguns podem complicar tua vida pra sempre.

― Eu sei, irmão. ― Eugênio sabia mesmo. O outro homem apenas não podia saber disso. ― Fique de boa. Eu sei quando e onde parar com essa história.

Eles se encararam por um tempo, quietos.

― Meu medo é que eles queiram fazer isso por ti. ― havia sinceridade. ― Eu me afastei de qualquer contato possível com os Mattos. Eles não são uma influência muito boa hoje em dia.

― Eu sei disso. Só quero minha delegacia de volta.

― Eu te entendo. De verdade, irmão.

Outro silêncio.

― Mas?

― Mas, eu paro por aqui. ― então, o amigo de Eugênio encarou-o como quem disse tudo. Em tom de explicação, complementou: ― Não tenho intenção de ficar no caminho de Leonardo de Mattos. Eu jamais estive contigo falando sobre isso, eh!

― Jamais, meu amigo. ― e Eugênio mostrou suas mãos como se mostrasse mais honestidade com isso. ― Jamais.

De volta à sua casa, diante daquela tela, percebeu algo vibrar perto de sua mão. Atendeu ao telefonema e disse apenas:

― Sim. Estou indo agora.


Já não precisava mais nada para aquela manhã ficar mais esquisita. O secretário da paróquia já havia visto Marcelina mais uma vez, os três garotos que ele nunca viu botarem os pés na Igreja, um grupo de idosas perguntar se a imagem de santa Lúcia estava em exposição na capela e, agora, mais essa: o delegado entrando pela porta da secretaria. O nervosismo sacudiu o corpo do garoto.

― Bom dia, Delegado! ― ele cumprimentou, com um sorriso sem graça em seu rosto.

― Bom dia! ― Eugênio sorriu. Então coçou a cabeça e seguiu com o papo. ― Desculpe o atraso… Eu deveria ter chegado mais cedo. Onde estão o padre e a Marcelina?

― Ah, vocês vão fazer o curso de casamento juntos? ― as coisas finalmente pareciam fazer sentido. Marcelina e Eugênio se casariam e Sara e Christopher remarcariam a data. Só podia ser isso.

― Como? ― Eugênio ficou parado.

― Ora, a Marcelina e você não vão se casar? ― sem esperar resposta, o rapaz prosseguiu. ― A Sara e o Christopher também. Trouxeram até o padrinho, o Matias.

― Ah… ― já fazia algum tempo que Eugênio não se via numa saia justa assim. ― Você está empolgado, né…?

― Eugênio! ― Marcelina surgiu, como um anjo da guarda, na hora certa.

― Amor! ― Eugênio reconhecia, com certeza, uma das vezes em que sua super namorada exercia seu heroísmo.

― Vamos! ― ela fingia azedume. ― O padre já está querendo cancelar por sua causa. Vamos logo!

― Sim, sim! ― e virou-se para o secretário. ― Obrigado!

Até que fizessem os poucos passos até a sala de catequese onde estavam os outros, Marcelina explicou rapidamente a situação para Eugênio, o que basicamente revelava que ele já não estava sozinho na investigação do assassinato de Richard e que Marcelina não vinha apenas deduzindo algumas poucas informações que chegaram a ela por acaso.

Então, entraram na sala.

― Eugênio! Que bom que chegaste! ― exclamou o padre, ajeitando uma cadeira ao lado da de Marcelina. ― Sente-se!

Sem esperar que estivessem completamente ajeitados, padre José trouxe à luz outra informação que quase deixaram escapar:

― Existe ainda um pequeno elemento que preciso resgatar para vocês dois, que ainda não estão situados. ― o padre falou, sem qualquer sinal de constrangimento. Encarou Eugênio e Marcelina e comunicou, como se falasse da previsão to tempo ― Richard não está morto.

Marcelina branqueou e emudeceu. Eugênio esboçou um sorriso confidente para o padre, que foi pego de surpresa pela primeira vez, até então.

― O que foi, Eugênio? ― aquela pergunta deixou clara confusão do padre.

― Padre… ― o sorriso de Eugênio era quase convencido. ― O senhor não é o único amigo de Sibila.

Assim, entre Alberion Valley e Aurora, formou-se uma rede em busca de respostas para um dos assassinatos mais emblemáticos para a história do país. Estava completo o grupo dos Discípulos de Emaús.

Pegar o padre José de surpresa não era uma missão para amadores. Evidentemente, Eugênio já deixara de ser amador havia algum tempo. Ao menos o suficiente para causar este sentimento quase estranho ao clérigo.

O fim do encontro dos Discípulos de Emaús se deu com a descoberta de que José de Via-Fuore e Eugênio Rodrigues faziam parte de uma mesma rede. O elo que os conectava era uma juíza da capital, chamada Sibila.


“Boquiaberta” seria uma descrição muito certa de Sibila por aquilo que se via em seu rosto. Aquela mulher esperava ser atendida por seu amigo, o delegado Eugênio Rodrigues, de Alberion Valley, logo depois de ter visto o surpreendente vídeo dos pais de Richard Steward, indignados com o andamento das investigações sobre o assassinato de seu filho único.

― Oi Eugênio.


Outra vez, Eugênio estava em frente à casa dos Steward para falar sobre a morte do rapaz. Outra vez, apertou o botão da campainha. Outra vez sentiu aquele frio na barriga. Só que, agora, o acento dirigiria a conversa para outro rumo.

― Eugênio! ― surpreso e visivelmente receoso, Inácio abriu a porta.

― Sim, Inácio. Eu. ― e Eugênio exibiu um sorriso amarelo.

― Entre.

Ao contrário do último encontro, a conversa não se deu na biblioteca, mas na cozinha, onde o casal preparava-se para o café da manhã.

― Tenho ficado com medo das tuas visitas matinais, Eugênio. ― Melissa suspirou em um humor trágico, marcado por amargura, sem olhar para o delegado.

― Eu entendo. ― e Eugênio encarou o chão por alguns instantes.

― Café? ― ela sugeriu, exibindo um sorriso cansado.

― Não, obrigado. ― Eugênio refugou, ainda mais sem jeito

― Então… ― Inácio sentou-se em uma cadeira alta, cruzando os braços e retorcendo a cara. ― O que foi, desta vez? Você não está mais no caso do Richard.

― Verdade. ― o sorriso tímido de Eugênio não bastaria. Mas não era hora de enrolação. ― E ninguém está, na verdade.

― Quê? ― Melissa chiou. Quase tão baixo que se pôde perceber apenas por ouvidos muito atentos.

― A Guarda Nacional não está trabalhando para resolver o caso do assassinato de Richard. Eles estão trabalhando para outra pessoa, não para o Rei.

Separatistas desgraçados… ― resmungou Inácio, entre dentes.

― Sim. Separatistas. ― e o delegado já respirava com maior dificuldade. ― Eles estão por detrás de tudo o que aconteceu com Richard e com uma boa parte daquilo que ainda vai acontecer… Infelizmente, mesmo com justiça ao Richard, a história está recém começando.

― O que você quer dizer com isso, Eugênio? ― foi a primeira vez que Eugênio viu o rosto de Melissa perturbado verdadeiramente.

― Não posso falar muito ainda para vocês, mas… ― e olhou ao redor, como se buscasse qualquer ameaça. ― Muitas coisas vão mudar pela frente. A guerra civil de que o pessoal está falando não está próxima. Ela já começou.

― Meu Deus! ― suspirou Inácio, transformando o rosto.

― O meu filho foi morto… No meio disso?! ― disse Inácio, com o rosto mais duro que já exibira em sua vida.

Ele encarou Eugênio com olhar vidrado. Alguma coisa ocorria lá dentro daquela cabeça, e Eugênio sabia disso, só não conseguia saber o quê.


Sibila, o que foi? ― perguntou Eugênio, enquanto atendia à chamada da juíza, mais cedo naquele dia.

― Acho que eu sei como ganhar tempo pra pegar o Leonardo. ― a fala de Sibila carregava algum senso de vitória.

― O quê? ― a de Eugênio, expectativa.

― Você recebeu o que eu te mandei? ― ela perguntou.

― Sim. Recebi há pouco e ainda não abri. ― Eugênio não sabia a importância daquilo que acabara de receber. ― O que é isso?

― Uma foto. ― Sibila ficou em silêncio por um instante, então prosseguiu. ― A foto que você recebeu deve chegar aos pais de Richard. Será doloroso e revoltante, eu tenho certeza. Mas, você não pode contar nada sobre o garoto! Nem o padre José!

― Entendo. ― Eugênio concordou. Olhava pela janela de seu quarto, para a rua tranquila no lado de fora. ― Fique tranquila, eu não falarei sobre as investigações, mas eu preciso garantir que alguma coisa está sendo feita.

― Sim, você precisa. ― Sibila concordou. ― Garanta isso, fale da existência de uma investigação de verdade, mas não os insira nessa história demais. Apenas entregue a foto como sinal de que estamos com eles e de estamos fazendo alguma coisa para acabar com os assassinos de Richard.

― Está bem. ― Eugênio concordou. ― Farei isso.

― Ótimo. ― e Sibila continuou: ― Amanhã, o padre José vem até Aurora. Os contatos que temos com o Palácio vão surtir efeito.

― Ótimo! ― um sorriso esperançoso iluminou o rosto, até então tenso, de Eugênio.

― Tem outra coisa. ― desta vez a voz da juíza pareceu pesar mais.

― O quê? ― outra vez a preocupação tornou-se visível.

― Estão armando contra os três amigos do Richard. A ideia é incriminá-los pela morte dele. ― ela informou, após outra breve pausa. ― Esta foto deve acelerar as coisas para nós, Eugênio. Mas também vai acelerar os planos de Leonardo.

― Como assim? ― vincando a testa, Eugênio perguntou, agora caminhando de um lado para o outro de seu quarto. ― O que você vai fazer?

― Vou expô-lo. ― ela falou com precisão, adicionando uma breve explicação em seguida. ― A Princesa Letícia tem me ajudado. Temos um outdoor para confeccionar.

― Hum. ― Eugênio sentiu um frio gelar sua barriga e arrepiar sua nuca. ― Tome cuidado com isso, Sibila!

― Eugênio. ― a voz de Sibila manifestou o quão enfadonha seria uma conversa sobre cuidados àquela altura do campeonato. ― Eu tomo cuidado. Quanto à isso, não informei da armação contra os garotos por nada.

― Sim. ― constrangido, Eugênio seguiu o ritmo imposto por Sibila.

― Preciso que você e Marcelina se revezem na guarda deles. ― havia um ponto de incerteza naquela ordem. ― Eu não sei quando nem como, mas aqui em Aurora a intenção é destruí-los. Cuidem deles.

― Como assim? ― Eugênio parou em seu quarto e encarou seu rosto perturbado em um espelho.

― A Guarda Nacional vai buscá-los a qualquer momento. ― e, naquele momento, Sibila baixou o tom de voz. ― Vocês não podem deixar que eles levem os garotos outra vez para a delegacia porque de lá eles não sairão vivos, desta vez!


Recuperado de seu devaneio, Eugênio continuou:

― Eu vim até aqui porque vocês precisam saber disso. ― então tirou de seu bolso um envelope dobrado e um tanto amassado. Essa é uma foto que coloca um conhecido de vocês numa situação muito delicada.

― O que é isso? ― Melissa perguntou, alteando uma sobrancelha, inquisidora.

Eugênio colocou o envelope sobre o tampo de mármore da mesa.

― Vocês precisam ver ela o quanto antes. É uma forma de prestar contas a vocês e dizer que algo está sendo feito. ― os três se encararam por algum tempo até que Eugênio concluísse. ― Vocês não estão sozinhos.


Pedro bateu a porta do gabinete com raiva. O relógio já alcançava metade da tarde e, em sua mão, um celular mostrava-se forte sob a pressão da mão furiosa do homem. Ele tremia inteiro.

― Senhor prefeito… ― a secretária tentou falar, pondo-se em pé assustada com a saída tempestuosa do político.

Uma mão erguida e um gesto de cabeça dele foram o suficiente para deixar clara a necessidade de silêncio. Em poucos instantes, suas costas desapareceram da vista da moça e o baque da porta que dava acesso à escadaria de emergência deram o sinal que ela esperava.

― Pelo amor de Deus! ― mais clara do que em qualquer momento em sua vida, ela passou a recomendação com urgência. ― Segue o Pedro, que ele tá com cara de quem vai fazer merda! Ele desceu pra garagem. Pelo amor de Deus!

E desligou o telefone ao ouvir o firme “Tô indo” do outro lado da linha. Sentou-se, ainda de olhos arregalados, com mão tremendo, pronta para chorar de nervosa, diante da desgraça que acabara de atingir o prefeito. Pegou o celular e colocou-se a contemplar, mais uma vez, ainda incrédula, a imagem do dia, sinceramente desejando que fosse uma terrível mentira.

Sem dúvidas, no entanto, aquele homem era Pedro. Era Pedro agarrando um homem do qual apenas as costas eram visíveis, que abraçava seu colo com suas pernas e fazia alguma coisa em seu pescoço a ponto de deixar o rosto de Pedro desfigurado pela excitação. Era aquela imagem que perturbava Pedro, expondo-o a acariciar o tecido Oxford da calça que cobria a bunda de um homem em seu colo. E, como se isso não bastasse, a cena estava exposta um em enorme outdoor no centro de Aurora, tão perto do Palácio do Rei que provavelmente ele poderia ver aquilo de uma de suas janelas.

Pedro desceu as escadas e percorreu um curto corredor rumo à garagem da prefeitura sendo encarado de uma maneira muito diferente. Conseguia sentir aqueles olhos sedentos, ansiando por vê-lo passar envergonhado, sair daquela prefeitura com o rabo entre as pernas e humilhado pelo seu próprio pessoal.

Com um baque surdo, fechou a porta de seu carro, golpeou sua própria cabeça contra o encosto de seu banco e deixou que saísse um choro audível até mesmo para os mais discretos ouvidos naquela garagem. E bateu novamente a cabeça contra o encosto, até que tivesse coragem e visão suficientes para assumir o volante e sair.

Já quase chegava a sua casa de campo quando uma pedra foi arremessada contra o para-brisa e ele acelerou assustado. Outra pedrada contra a janela do motorista e, de repente, o estilhaçar de vidros.

Outro baque, desta vez do outro lado do carro. Não conseguia ver, seu nervosismo o cegava. Fugia de alguém, isso era tudo que conseguia assimilar.

À altura de seu peito, um gélido movimento parecia ter vida própria, enquanto suas mãos tremiam quase incontroláveis, muito mais do que ele próprio já imaginara para seus piores momentos de terror.

PAM! Algo que poderia muito bem ser o destroço de algum caminhão arrasou seu para-brisa e o caminho até o barranco foi certeiro. Um movimento brusco e o carro se inclinou, acavalado sobre um chumaço de plantas desconhecidas por Pedro e com as rodas muito acima do chão para que qualquer manobra fosse possível.

Mãos agarraram-no pela camisa. Abriram a porta e arrancaram-no do seu próprio veículo.

Viadinho puto! ― foi uma das poucas coisas dispersas que ele conseguiu ouvir, enquanto ficava cada vez mais surdo por conta dos golpes em sua cabeça, costelas e barriga. Um joelho de encontro à sua virilha e a saudação de um punho a seu queixo enviaram-no a um mundo escuro e distante.


O Rei, ao fim daquele dia, sentava-se desanimado a um canto de um sofá de couro branco em uma sala muito elegante. Aquela sala pertencia a sua nova casa, uma que ele jamais quis para si quando conseguiu usar a razão. Estava na ala pessoal do Rei. Um lugar que conhecera antes, apenas porque costumava visitar seu tio. Ali, acompanhou algumas cenas memoráveis. Como a daquela noite, em que ele e sua família aguardaram a chegada dos corpos. Dois caixões pretos simples, lisos e tão bem envernizados que qualquer um poderia ver a si mesmo refletido naquela madeira nobre, como um macabro lembrete daquilo que o futuro reserva.

Se Eduardo I quisesse, poderia muito bem cruzar aquela ala, descer para o piso abaixo e dar de cara com uma correria que importunava os agentes encarregados de sua segurança e da ordem do palácio.

O sol já se mostrava cansado, mas algumas pessoas cochichavam nervosamente sobre os mais recentes acontecimentos. E isso envolvia descobrir o autor de um outdoor bem debaixo do nariz do Rei e do espancamento de um prefeito em Alberion Valley, uma cidadezinha “logo ali”. Em suma, alguns problemas para a agenda do dia seguinte de Sua Majestade.

Longe do caos no Palácio Real e infinitamente do sofrimento pessoal de Sua Majestade, eles aguardavam. Estavam a muitos quilômetros de distância do Palácio Real, que dirá dos acontecimentos de Alberion Valley. Era apenas um pequeno grupo disfarçado, próximos à fronteira com a Argentina, o Paraguai e o Brasil. Estavam bem escondidos. Contudo, nunca estiveram tão próximos do cangote do Rei ou dos calcanhares dos habitantes de Alberion Valley.

Esperavam apenas uma confirmação. Uma mensagem discreta. Que chegou quando aquela terça-feira já se ia como aquele sol premonitoriamente vermelho.

Eles conseguiram. A explosão foi um sucesso. Estava dado o primeiro sinal da guerra. A coroa seria humilhada!


Imagem de destaque: Gaspar Uhas / Unsplash.

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