The solitary banquet

Once upon a time, there was a waiter.A hidden man, a fugitive from the world,Not that he wanted it that way, but that’s how he was.Alone, escaped from the world. For much of his life, he lived to serve a small restaurant in his village.From this village, only memories remained for some—or myth for many…

Como explicar o meu amor?

Como posso explicar o que sinto? Como posso nomear,  se o que sinto me causa arrepios calafrios que me percorrem o corpo inteiro  atentam contra a minha natureza mais selvagem  e contribuem para aquela que tem sido formadora de quem eu sou,  a minha natureza; mais que a selvageria que os bichos humanos costumam respeitar…

Olhar distante

Passando perto de uma janela, com olhar um tanto perdido, um rapaz segurava uma mochila perigosamente desatento. Embora aquele par de olhos escuros apontassem para um aparente vazio ou algum ponto qualquer da acinzentada calçada quadriculada da estação rodoviária, havia muito o que ser visto por ele, talvez um chão mais vivo e colorido, resguardado…

A luz no abacateiro

Era uma vez, numa cidadezinha minúscula, uma coisa brilhando entre os galhos de um abacateiro. Aquela coisa diferente, cujo brilho débil apenas conseguia iluminar pouco mais que alguns centímetros ao seu redor, não passou despercebida aos olhos de um pequeno rapazinho, uns sete ou oito anos, que saía à soleira de uma casa de madeira,…

O grito da coruja

Um guincho horrendo seguido de pancadas surdas ao lado da parede de seu quarto a acordaram. “Amor!” ela chamou. Suas mãos apoiadas no colchão enquanto seu tronco tentava desesperadamente colocar-se ereto. Os olhos estavam arregalados e uma mão tateava, atrapalhada, um móvel logo ao lado da cama. Finalmente, achou os óculos e vestiu-os sedenta para…

Lá e cá sem graça

Uma moça bonita, acostumada que chamasse a atenção, entrou num ônibus prateado, apresentou uma língua de papel com um monte de letras pontilhadas, uma carteirinha verde com uma foto ainda mais escabrosa que o papel em si e pôde seguir a diante. Uma veia pulava no pescoço branquelo. Se, por um lado, o seu cachorro…

Um sol de matar!

Ele era preto. E, sob aquele sol, isso era um problema: ele esquentaria ainda mais. Na sua linguagem, dava sinais de que queria sombra e água fresca, com certeza. Mas, pouca atenção lhe era dada. Ele grunhiu, gemeu, se contorceu um pouquinho, fez alguns gestos, mas, ainda, pouca atenção lhe era dada. Então, decidiu-se: se…

Eu não começo pelo começo

Eu não começo pelo começo. Verdade seja dita: eu não começo. É difícil que eu comece pelo começo, então eu começo pelo início, mas raramente pelo começo. Este, eu comecei pelo começo porque parecia sensato ele ser começado assim: a história pulou em meu cérebro, deixei de lado o conto que eu estava organizando no…

Um amor na varanda

O que você quer? – ela perguntou, impositiva, socando uma mala de mão no pequeno espaço que ele deixara sobrar no bagageiro. – Você nua sentada em meu colo nu e alegre. – ele respondeu de imediato, perceptivelmente sem muitos filtros. Foi assim que eles se conheceram, aquele casal curioso. Um primeiro encontro nada ordinário…

Um trem covid-19

O processo aconteceu como de costume: tudo começou quando a cancela baixou, a sirene apitou e o trânsito parou. Lá vinha ele. Os carros pararam, o pessoal escutou se o trem vinha, olhava para ver de que lado chegaria, que cor teria, quantos vagões e o que carregava. Sabiam que era um trem, mas não…